Caos, Arkadin!

“O trabalho do Wesley Duke Lee e de seus contemporâneos sempre me pareceu uma proposta de atitude, de comportamento, perante a existência, nos possíveis e nos ainda impensados campos de ação. A ação artística torna-se uma condição de propor, intrínseca nas escolhas da vida, como um sujeito que aponta outro possível caminho de ver, de imaginar, de designar.

Em 2010, no educativo da  29a. Bienal de São Paulo, pude estudar mais intimamente o Grupo Rex e da Rex Gallery and Sons. A exposição contava com uma estação de leitura, um dos denominados “terreiros”, onde uma cópia de todas as edições de seus jornais estavam acessíveis, assim como uma galeria homenageando o grupo com obras de cada integrante. No diálogo constante entre a pintura e a performance, a escrita e o desenho, a festa e a autobiografia – se é que faz sentido separar-las na palavra de forma tão delimitada. Ao fim, a ideia-legado que me impulsiona mais é o de agregar pessoas com a mesma vibração, e que essa vibração reverbere para além das pessoas, vá para lugares que não conseguimos imaginar e crie novos ramos, de cores diversas e surpreendentes.

No instituto, entrei em valorozo contato físico com os processos do Wesley e parte de seus registros, estes que se tornaram rastros indícativos de seus pensamentos, desmitificadores do processo “mágico” que revelam a magia que atua na própria realidade. A realidade preocupa o artista, quantifica, releva e recicla. Nesse terceiro movimento, a sobreposição, o acumulo, e o resgate da memória entram na tela com importância igual as suas condições formais, linhas, formas e cores. Pensando no espaço da pintura como um hard drive visual autobiográfico, a tela cria sua própria didática – a didática de cada artista. E discretamente propõe um aprendizado mítico novo. ”

– Claudia Di Ayoub (AKA Josephina Di)

Caos, Arkadin!
2015
pastel oleoso, grafite, tinta automotiva e acrílica s/ tela
154 x 216 cm