Cartografia central

“O pontapé inicial deste processo foi uma imersão no universo do Wesley a começar pelo mais íntimo de seu cerne: sua casa e todas as particularidades, manias e crenças contidas em um espaço tão pessoal. Como ele mesmo dizia, sua casa era ele virado de dentro para fora.  Bom “acumulador” que era, utilizava cada objeto como “portal” de acesso para diferentes tempos e memórias. Uma biografia, documentários e inúmeros textos facilitaram o acesso e compreensão deste universo, fazendo com que suas obras se desvendassem em um pensamento claro, conciso e linear.

Uma vez desvendado, era hora de transpor este pensamento de forma pictórica. Inspirado principalmente no trabalho “Trapézio” e na série “Cartografia Anímica” meu trabalho se divide em duas camadas:

A primeira, mais literal, reproduz uma foto icônica em que segura uma máscara (alusão a seus estudos arquétipos), quase como se retirasse a máscara social da qual somos reféns e nos revelasse o artista por detrás dela. Nesta, a pele do artista é composta por fragmentos retirados de revistas de nu, representando seu lado erótico. No terno são utilizadas estampas de op art e formas orgânicas, mostrando a relação de seriedade que o artista teve com a lisergia, a qual foi encarada como objeto de rigoroso estudo. Por fim, o fundo e a máscara orientais são feitos de texturas multiétnicas, representando a pluralidade cultural que tanto influenciou em seu trabalho.

Já na camada de trás, temos fotos de objetos da própria casa dispostos em um mapa, representando essa organização do inconsciente em que tinham a função de atalho para memórias. Alguns destes objetos ganham volume e saem do plano bidimensional, tendo parte de suas imagens cobertas por papel milimetradro. Uma alusão ao final da vida do artista quando, devido Mal de Alzheimer, haviam perdido sua função de atalho, se tornando incógnitas.”

– Gustavo Prata

Cartografia central
2015
assemblage: colagem com papeis diversos e madeira balsa
100 x 80 cm